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<title> &#45; : Internacional</title>
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<title>África do Sul: entenda falsa acusação de Trump sobre genocídio branco</title>
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<description><![CDATA[ 
                    
				Uma lei de reforma agrária na África do Sul está por trás da falsa acusação do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, sobre um inexistente genocídio contra a minoria branca do país africano. A África do Sul se livrou do regime de segregação racial do apartheid em 1994 e é considerada a nação mais desigual do mundo.  

Ao receber o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, na Casa Branca, Trump criticou a lei de terras que busca corrigir a herança da segregação racial do país que confinou as maiorias negras em pequenas áreas territoriais durante décadas.


Notícias relacionadas:EUA declara embaixador da África do Sul persona non grata.Trump assina decreto para cortar financiamento à África do Sul.Juíza impede Trump de revogar matrículas de estrangeiros em Harvard.“Temos milhares de pessoas tentando entrar no nosso país porque sentem que vão ser mortas e que suas terras vão ser confiscadas. Vocês têm leis que foram aprovadas que permitem que terras sejam confiscadas sem pagamento”, disse Trump à Ramaphosa.


Na ocasião, Trump mostrou fotos de pessoas mortas que seriam fazendeiros brancos sul-africanos. Porém, a Reuters comprovou que algumas das imagens eram de corpos recolhidos no Congo. Questionada pela agência de notícias sobre as imagens, a Casa Branca não se manifestou.

Supostos assassinatos de fazendeiros brancos na África do Sul têm sido usados para justificar a acusação sobre genocídio, versão antiga propagada pela extrema-direita do país que ganhou impulso com o apoio Elon Musk, sul-africano de nascimento, multibilionário, dono da plataforma X e aliado de Trump. Segundo Musk, os brancos da África do Sul são vítimas de leis “racistas de propriedade”.

O presidente sul-africano Cyril Ramaphosa rebateu Trump argumentando que a violência no país é um problema causado pelo desemprego e pela desigualdade, destacando que a população negra, e não a branca, é a mais afetada pela criminalidade.

Com 63 milhões de habitantes, 81,7% da população da África do Sul é negra e cerca de 7% são de brancos, segundo estatísticas oficiais de 2024.

Reforma Agrária

A nova lei de terras da África do Sul, sancionada neste ano, permite a desapropriação sem indenização em caso de propriedades ociosas. A professora de história da África da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Núbia Aguilar explicou à Agência Brasil que a desigualdade racial na África do Sul não acabou com o fim do regime de apartheid.


“As leis de segregação criaram uma discriminação e desigualdade raciais que não acabam com o fim do apartheid. Isso gera, na atualidade, uma tensão racial e uma busca por maior igualdade, como a gente vê na questão da distribuição de terras. Por isso, temos hoje grupos de brancos da África do Sul que se colocam como vítimas de uma política reparatória”, explicou.


A historiadora ressalta que existe uma grande resistência interna na África do Sul contra a lei de reforma agrária recentemente sancionada. Segundo a especialista, as leis de segregação ao longo do século 20 permitiram uma ampla concentração de terra na mão da minoria branca.

“Nesse cenário, os EUA ficam ao lado dos brancos sul-africanos que são colocados como vítimas do governo não branco sul-africano. Então, a África do Sul, mais uma vez, se configura um espaço de tensão racial”, disse, lembrando do passado do apartheid.

Núbia Aguilar lembrou que a concentração de terras na África do Sul tem, entre suas origens, as leis de terra do início do século 20, que confinaram as maiorias negras em regiões que somariam 13% do território, proibindo que pessoas negras comprassem terra fora dessas áreas.

Imigração e Israel

Citando a desaprovação à política fundiária da África do Sul, o governo Trump cortou ajuda financeira ao país africano ainda no início do governo. O país também é criticado por Washington por denunciar Israel por genocídio e colonização na Faixa de Gaza.

Os atritos entre os dois países levaram Trump a abrir exceção na sua dura política imigratória, permitindo a entrada de brancos sul-africanos que queiram migrar ao país enquanto caça licenças migratórias de centenas de milhares de haitianos, cubanos e venezuelanos. Além disso, Washington expulsou o embaixador sul-africano do país.

País mais desigual

O Banco Mundial classifica a África do Sul como o país mais desigual no mundo, em parte, devido ao seu passado colonial e de segregação racial. Em relatório publicado em 2022, o banco responsabiliza a concentração de terra como um dos principais motivos para desigualdade no país africano.


“A desigualdade na propriedade da terra, particularmente na Namíbia e na África do Sul, perpetua os níveis historicamente altos de desigualdade de renda. A terra é um bem fundamental, especialmente para pessoas pobres em áreas rurais. A distribuição desigual de terras agrícolas, profundamente enraizada na história da região, contribui significativamente para a desigualdade”, diz o estudo.


A professora Núbia Aguilar ressalta que, mais de 30 anos após o fim do apartheid, a minoria branca continua controlando a maior parte da economia sul-africana. &quot;Se fizermos um passeio pelas famosas vinícolas da região do Cabo, que recebem grande número de turistas, veremos que essas produções são majoritariamente concentradas na mão de brancos”, disse.

De acordo com a professora, a nova lei permite a desapropriação sem indenização apenas de terras ociosas, mas ainda não foi colocada em prática pelo governo. “Essa lei ainda não teve como progredir, sobretudo, em virtude da repercussão e toda movimentação que essa legislação tem sido alvo”, concluiu. ]]></description>
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<pubDate>Tue, 27 May 2025 09:18:38 -0300</pubDate>
<dc:creator>redação</dc:creator>
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<title>Brasil presidirá grupo de trabalho sobre criação do Estado palestino</title>
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<description><![CDATA[ 
                    
				O Brasil foi convidado para copresidir um grupo de trabalho durante a Conferência Internacional para a Solução Pacífica da Questão da Palestina e a Implementação da Solução de Dois Estados, idealizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e programada para junho. 

Ao lado de Senegal, o Brasil vai comandar a discussão sobre a promoção do respeito ao direito internacional para a implementação da solução de dois Estados. 

Notícias relacionadas:Governo repatria 12 brasileiros e parentes da Faixa de Gaza.Israel autoriza entrada em Gaza de 100 caminhões de ajuda da ONU .UE e Reino Unido anunciam novas sanções à Rússia sem esperar pelos EUA.Foram convocados oito grupos de trabalho como parte do processo preparatório. Tanto os grupos como a Conferência propriamente dita são abertos a todos os Estados-membros e a representantes do sistema ONU, incluindo programas, fundos, agências especializadas e comissões regionais, além das instituições de Bretton Woods. 

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, todos os estados-membros da ONU estão sendo consultados simultaneamente pelos oito grupos de trabalho e participarão dos trabalhos de forma voluntária. Ainda não há definição sobre quais países vão participar dos grupos.  ]]></description>
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<pubDate>Mon, 26 May 2025 12:00:00 -0300</pubDate>
<dc:creator>redação</dc:creator>
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<title>Ataque suicida contra ônibus escolar deixa cinco mortos no Paquistão</title>
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<description><![CDATA[ 
                    
				Pelo menos três crianças estavam entre as cinco pessoas mortas quando um homem-bomba atacou um ônibus escolar do Exército na província do Baluchistão, no Paquistão, informaram os militares nesta quarta-feira (21). O ataque foi atribuído pelo país a agentes indianos.

Cerca de 40 estudantes estavam no ônibus que se dirigia a uma escola administrada pelo Exército e vários sofreram ferimentos, disse Yasir Iqbal, administrador do distrito de Khuzdar, onde ocorreu o incidente.

Notícias relacionadas:Caxemira: entenda guerra entre Paquistão e Índia que assustou o mundo.Índia ataca Paquistão após a morte de turistas na Caxemira.Os militares e o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, rapidamente divulgaram declarações condenando a violência e acusando &quot;representantes do terror indiano&quot; de envolvimento no ataque. Eles não compartilharam evidências que ligassem o ataque a Nova Delhi.


&quot;Os planejadores, cúmplices e executores desse covarde ataque patrocinado pela Índia serão perseguidos e levados à Justiça&quot;, disse a unidade de mídia dos militares.


O Ministério das Relações Exteriores da Índia rejeitou as acusações do Paquistão de envolvimento indiano.


&quot;Para desviar a atenção de sua reputação como epicentro global do terrorismo e para esconder suas próprias falhas graves, tornou-se uma coisa instintiva para o Paquistão culpar a Índia por todos os seus problemas internos&quot;, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Índia, Randhir Jaiswal, em comunicado.


As tensões entre a Índia e o Paquistão continuam altas depois que eles concordaram com um cessar-fogo em 10 de maio. Diplomatas alertaram que a trégua é frágil, após a escalada mais dramática das hostilidades entre os vizinhos com armas nucleares em décadas.

Ambos acusam o outro de apoiar a militância em seu território -- uma acusação que os dois lados negam. A última escalada militar, na qual os dois países trocaram mísseis, foi desencadeada depois que a Índia acusou o Paquistão de apoiar um ataque de militantes contra turistas na parte indiana da região contestada da Caxemira. Islamabad nega qualquer envolvimento.

No ataque suicida desta quarta-feira no Baluchistão, pelo menos três crianças e dois adultos foram mortos, informou o Exército. A televisão local mostrou imagens de três meninas do ensino fundamental e médio que foram mortas.

Nenhum grupo reivindicou imediatamente a responsabilidade pela explosão, reminiscência de um dos ataques militantes mais letais da história do Paquistão, quando um ataque a uma escola militar na cidade de Peshawar, no norte do país, em 2014, matou mais de 130 crianças.

*(Reportagem adicional de Saud Mehsud e Asif Shahzad)

*É proibida a reprodução deste conteúdo. ]]></description>
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<pubDate>Mon, 26 May 2025 11:59:57 -0300</pubDate>
<dc:creator>redação</dc:creator>
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<title>Com oposição rachada, Venezuela realiza eleição legislativa e regional</title>
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<description><![CDATA[ 
                    
				Com a oposição rachada, a Venezuela vai às urnas no próximo domingo (25) para eleger os 285 deputados da Assembleia Nacional (AN) para o período 2026-2031. Os cerca de 21 milhões de eleitores podem ainda votar para os 24 governos e assembleias estaduais.

É o primeiro pleito para cargos eletivos desde a eleição presidencial de 28 de julho de 2024, que reelegeu o presidente Nicolás Maduro sob acusações de fraude da oposição, de organizações internacionais e de diversos países. O tribunal máximo do país confirmou a vitória do atual presidente, apesar do Poder Eleitoral não publicar os dados detalhados da votação. 

Notícias relacionadas:Trump anuncia tarifa contra países que comprarem petróleo da Venezuela.Venezuela condena novas sanções impostas por EUA e Europa.Venezuela: Maduro assume 3º mandato e promete reforma na Constituição.Às vésperas da eleição, o governo anunciou ter desmantelado, nesta semana, uma nova tentativa de golpe de Estado com a prisão de 38 suspeitos de planejarem ataques terroristas no país, sendo 17 estrangeiros. Maduro acusa ex-presidentes de direita da Colômbia de articularem o plano e suspendeu os voos oriundos do país vizinho.

Desta vez, a oposição vai às urnas dividida entre aqueles que defendem a abstenção, reunidos em torno da María Corina Machado, e os que defendem o voto como forma de disputar espaço institucional com o chavismo, reunidos principalmente em torno do ex-governador e ex-candidato a presidente Henrique Capriles.

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Oposição vai às eleições dividida contra apoiadores de Nicolás Maduro - Foto: Reuters/Leonardo Fernandez Viloria/proibida a reprodução


Campanha

O professor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Central de Venezuela (UCV) Rodolfo Magallanes explicou à Agência Brasil que a campanha para governos e assembleia não tem a mesma visibilidade da eleição presidencial, e se dá em um contexto de desconfiança em relação à lisura do último pleito, o que pode afetar o nível de participação.

“Obviamente, a questão econômica é central nessa eleição após uma crise que se prolongou por muito tempo na Venezuela e afetou significativamente os níveis salariais do país. Embora tenha havido algum controle da inflação nos últimos meses ou semanas, ela está voltando a crescer, não na mesma proporção que no passado, mas em níveis que causam alguma preocupação”, comentou.

Magallanes cita ainda a retomada de sanções econômicas contra o petróleo venezuelano pelo governo dos Estados Unidos como outro fator importante na conjuntura eleitoral.

“É claro que se trata de uma situação social delicada, caracterizada pela restrição dessas rendas petroleiras e seu impacto nas finanças públicas, em particular, nos salários dos servidores públicos, e também na qualidade dos serviços e seu custo para a população”, explicou.

Oposição

María Corina Machado, a principal figura da oposição contra Maduro na eleição do ano passado, tem pregado a abstenção nas eleições do próximo domingo. 

Impedida de disputar a eleição presidencial de 2024 devido a condenação por corrupção, ela indicou o diplomata Edmundo González para concorrer.


            
        
    
María Corina Machado discursa durante protesto em Caracas - Foto: Maxwell Briceno/Reuters/direitos reservados


González hoje se encontra asilado na Espanha e se considera o vencedor da eleição do ano passado, tendo ficado em segundo colocado de acordo com os números oficiais. 

“O 25 de maio não é uma eleição porque teu voto não elege e, para defender a soberania popular, devemos defender o 28 de julho. Por isso, todo mundo diz: eu já votei em 28 de julho”, conclama Corina em uma rede social. 

A ex-deputada sustenta que ir às urnas é respaldar o governo Maduro e o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), acusado de fraudar a última votação.

Já o ex-governador do estado Miranda, de 2008 a 2017, Henrique Capriles, tem pregado o voto da oposição para enfrentar o chavismo. Ele disputou a presidência contra o ex-presidente Hugo Chávez, em 2012, e contra Maduro, em 2013, tendo sido derrotado nas duas oportunidades.


“Devemos usar o voto como o instrumento mais claro que temos para rejeitar tudo o que aconteceu e aqueles que sequestraram a soberania popular. Muitos de nós não estamos dispostos a parar de lutar para persistir na mudança do país”, afirmou o oposicionista em uma rede social.


Hegemonia

Capriles pretende reduzir a hegemonia chavista no país, que atualmente controla cerca de 90% da Assembleia Nacional, uma vez que em 2020 a maior parte da oposição pregou a abstenção. O chavismo ainda controla 19 dos 24 governos locais.


            
        
    
Henrique Capriles já disputou a presidência contra o ex-presidente Hugo Chávez e contra Maduro - Foto: Cristina Moure/Divulgação do Governo de Miranda


O professor da UCV Rodolfo Magallanes avalia que a maioria dos grupos da oposição estão dispostos a participar das eleições, mas a divisão entre eles favorece o governo. 

Para o especialista, o mapa político que sairá no domingo deve variar pouco em relação ao cenário atual.

“Na medida em que os candidatos da oposição se dispersam em várias alianças eleitorais, eles dispersam o voto entre si. Mesmo levando em conta o desgaste político do governo ao longo de tantos anos de gestão e a atual conjuntura econômica, será difícil, em alguns casos, para a oposição, reunir votos suficientes para formar um governo”, avalia.  

O Partido Comunista da Venezuela (PCV) informou que não participará das eleições devido à falta de garantias eleitorais mínimas.

“Embora o voto seja um direito e seu exercício não deva ser censurado, alertamos o povo venezuelano sobre as consequências para a vida democrática do país ao alimentar essa farsa eleitoral em que as instituições estatais não garantem os princípios de legalidade e transparência”, alerta o informe da legenda.

Governo

Os candidatos ligados ao governo têm mobilizado a militância e o eleitorado chavista para manter o controle sobre a maioria das instituições e governos. Em transmissão oficial na televisão nesta semana, Maduro convocou a população ao voto.  

“Vamos romper a campanha de desinformação, o veto e o bloqueio que tentam impor a esse processo. Estamos do lado certo da história, e esta nova vitória nos permitirá avançar no melhor momento da Revolução Bolivariana e da renovada democracia da Venezuela”, afirmou. ]]></description>
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<pubDate>Mon, 26 May 2025 11:59:54 -0300</pubDate>
<dc:creator>redação</dc:creator>
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<title>Entidade judaica atribui assassinatos nos EUA a críticas a Israel</title>
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<description><![CDATA[ 
                    
				A Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) atribuiu o assassinato de dois funcionários da Embaixada de Israel nos Estados Unidos (EUA) ao antissemitismo, que é a discriminação contra judeus, e também às críticas das ações de Israel na Faixa de Gaza, que estariam contribuindo para alimentar o ódio aos judeus.    

Por outro lado, Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal) alerta para que esse crime não seja usado para blindar Israel contra as críticas pelas ações na Faixa de Gaza, de massacres diários e imposição da fome em todo o território, o que vem sendo considerado um genocídio por diversos países e organizações. 

Notícias relacionadas:Funcionários da embaixada israelense são mortos a tiros em Washington.França, Inglaterra e Canadá advertem Israel por ações na Faixa de Gaza.Anistia Internacional classifica ação de Israel em Gaza como genocídio.Em nota publicada nesta quinta-feira (22), a entidade judaica sediada no Brasil lamentou o duplo assassinato.


“Nossa solidariedade se volta às famílias das vítimas, à comunidade judaica americana e ao Estado de Israel. Que a memória de Sarah [Milgram] e Yaron [Lischinsky] seja um chamado à vida, à justiça e à resistência contra todo tipo de intolerância”, afirmou a Fisesp.


Segundo informa a imprensa nos Estados Unidos, o suspeito pelos disparos teria gritado “Palestina livre”, após o crime.  

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A Federação Israelita diz que discursos contra “a legítima defesa do Estado de Israel frente aos ataques terroristas do Hamas” alimenta o crescimento global de manifestações antissemitas. A entidade, inclusive, citou o episódio em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou as ações em Gaza ao Holocausto na 2ª Guerra Mundial. 


“Pedimos às autoridades brasileiras máxima responsabilidade em suas falas e ações, pois elas têm o poder de acalmar, ou inflamar, os ânimos de uma sociedade já tensionada. Antissemitismo mata”, conclui a entidade.


Assim como a Federação Israelita de São Paulo, o ministro das relações exteriores de Israel, Gideon Sa’ar, afirma que os assassinatos em Nova York são alimentados por “falsas acusações contra Israel”, incluindo de líderes europeus.


&quot;Há uma ligação direta entre a incitação antissemita e anti-Israel e este assassinato. Essa incitação também é praticada por líderes e autoridades de muitos países e organizações, especialmente da Europa”, disse em coletiva de imprensa, em Jerusalém.


Críticas a Israel

O assassinato de assessores da embaixada de Israel em Nova York ocorre em meio às pressões internacionais e críticas inéditas de aliados históricos de Tel Aviv contra os massacres e o bloqueio de ajuda humanitária na Faixa de Gaza. Inglaterra, França e Canadá advertiram Israel para acabar com “ações escandalosas” no enclave palestino. 

A ação de Israel em Gaza é alvo de processo por genocídio movido pela África do Sul na Corte Internacional de Justiça (CIJ). 

Federação Palestina

A Federação Árabe Palestina do Brasil, Ualid Rabah, destacou à Agência Brasil que todo crime é condenável, incluindo o dos assessores da Embaixada de Israel, e que ele deve ser apurado com todo o rigor.

Por outro lado, pondera que o caso vem sendo usado para blindar Israel da percepção mundial de que o país pratica um genocídio na Palestina.


“Israel passa a ser ameaçado de boicote por países importantes do Ocidente, como Inglaterra, França, Canadá e Espanha, passando a ser um país pária. Com isso, passa a usar a ferramenta do alegado antissemitismo, que, na verdade, é a rejeição ao genocídio na Palestina, que aumentou a rejeição a Israel, não o anti-judaísmo”, explicou.


Rabah avalia ainda que seria preciso investigar, inclusive, se o crime não é de “falsa bandeira” para blindar Israel. “Se quiser investigar verdadeiramente este crime, que ouçam a totalidade dos agentes do Mossad [serviço secreto israelense] para saber se não é um crime de falsa bandeira cometido por quem tenha interesse em, neste momento, blindar Israel da percepção mundial do genocídio que comete na Palestina”, comentou.

Brasil

Por meio de nota, o governo brasileiro informou à Agência Brasil que Lula não fez nenhuma fala preconceituosa contra judeus. “O presidente criticou ações do atual governo de Israel e a desproporcionalidade da reação e seu efeito sobre os civis palestinos, defendendo um cessar-fogo”, disse a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom-PR).

A Secom informou ainda que o governo repudia, com veemência, o assassinato dos israelenses na noite dessa quarta-feira (21). “O governo reitera sua firme condenação ao antissemitismo, ao extremismo e a crimes de ódio como o ocorrido na capital norte-americana”, acrescentando que Lula já condenou diversas vezes os ataques terroristas do Hamas no dia 7 de outubro de 2023.

 

* Matéria ampliada às 12h50 com o posicionamento do governo brasileiro // Matéria corrigida às 17h47 para esclarecimento sobre a Federação Israelita de São Paulo, uma entidade judaica, e não israelense como foi publicado inicialmente ]]></description>
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<pubDate>Mon, 26 May 2025 11:59:52 -0300</pubDate>
<dc:creator>redação</dc:creator>
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<title>Itamaraty: não é possível resgatar de Gaza mulher que viveu no Brasil</title>
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<description><![CDATA[ 
                    
				O Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou à Agência Brasil que o governo brasileiro não consegue retirar da Faixa de Gaza a palestina Assmaa Adbo Eldijan, de 38 anos, que viveu 16 anos no Brasil. Ela tem feito uma campanha nas redes sociais para conseguir sair do território arrasado por Israel.

Segundo o Itamaraty, o governo só é capaz de negociar a retirada de cidadãos brasileiros ou que sejam do núcleo familiar direto de brasileiros. “Esse requisito foi também verificado pelas autoridades dos países envolvidos, de modo a autorizar suas saídas”, disse o MRE.

Notícias relacionadas:Itamaraty condena suspensão de ajuda humanitária a Gaza.Caminhões de ajuda entram em Gaza após atrasos.Governo repatria 12 brasileiros e parentes da Faixa de Gaza.A pasta destacou ainda que o governo é “sensível à situação humanitária de todos os afetados”, mas lembra que a retirada de residentes em áreas conflagradas, como a Faixa de Gaza, “envolve negociações com autoridades de diversos países, cuja anuência é necessária para qualquer evacuação”.

Nesta semana, o Itamaraty coordenou a saída da Faixa de Gaza de 12 pessoas, incluindo brasileiros e parentes. Ao todo, o governo resgatou 127 pessoas do enclave palestino desde outubro de 2023. 

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Campanha online

Assmaa, que fala português fluentemente, movimentou as redes sociais para tentar sair na operação desta semana, mas não foi possível. “Eu teria salvado minha vida, a vida dos meus filhos e o futuro dos meus filhos”, comentou.

Ela conta que não retirou os documentos de nacionalidade brasileira quando viveu no Rio de Janeiro. Em uma rede social, explicou que seus pais nasceram em Gaza e se mudaram para os Emirados Árabes Unidos, onde ela nasceu. Mas que, quando era criança, vieram ao Brasil porque os tios dela já estavam no país.

“Desde minha infância até a adolescência [dos 4 aos 20 anos] morei no Brasil. Por motivos familiares viemos para Gaza. Foi difícil me acostumar com uma nova cultura, por mais que eu seja palestina de origem. Casei e tive uma menina e três meninos”, contou.

Assmaa diz que tem documentos do Brasil, mas que sua família não retirou a nacionalidade na época. “Por que eu não sou brasileira? Por causa de um papel? Eu estou te falando que vivi 16 anos no Brasil, no Rio de Janeiro, eu tenho amigos, meu perfil é de milhares de pessoas brasileiras”, afirmou nas redes.

Catástrofe humanitária

A palestina Assmaa conta que tem dificuldade para encontrar comida. “Tenho que acordar todo dia com os mesmos problemas de ter que ir correr atrás de água potável, atrás de comida. Não estou falando só de estar com dinheiro para ir comprar. Você está falando de que a gente chegou ao ponto de a fronteira estar fechada e de não ter alimento”, revelou.

Desde o dia 2 de março, Israel bloqueia a entrada de qualquer ajuda humanitária no território, o que tem imposto fome a toda a população. Gaza vive desde outubro de 2023 sob ataques de Israel. Estima-se que cerca de 90% da população tenham sido deslocados pelos bombardeios.

Nesta semana, os militares israelenses informaram que autorizaram a entrada de 100 caminhões, quantidade ínfima se considerado que, antes da guerra, entravam cerca de 500 caminhões por dia com mantimentos no território, segundo informou as Organização das Nações Unidas (ONU).  

“Organizações humanitárias alertam para níveis agudos de fome, o declínio acentuado na diversidade alimentar e uma proporção maior de crianças diagnosticadas com desnutrição aguda, enquanto menos de 300 mil refeições diárias são preparadas em cozinhas comunitárias”, alertou o Escritório da ONU para Assuntos Humanitários (Ocha).  ]]></description>
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<pubDate>Mon, 26 May 2025 11:59:50 -0300</pubDate>
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<title>Rússia e Ucrânia libertam 390 prisioneiros cada em primeira troca</title>
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				Rússia e Ucrânia libertaram 390 prisioneiros cada nesta sexta-feira (23) e disseram que vão libertar mais nos próximos dias, no que se espera que seja a maior troca de prisioneiros da guerra até agora.

O acordo para a troca de mil prisioneiros foi o único passo concreto em direção à paz, após duas horas de negociações na semana passada em Istambul – as primeiras conversas diretas entre os dois lados, em guerra em mais de três anos.

Notícias relacionadas:Sem Putin na Turquia, negociações para paz na Ucrânia estão incertas.Zelenskiy se diz pronto para encontrar Putin na Turquia nesta quinta.Eles não conseguiram fechar um cessar-fogo proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O Ministério da Defesa da Rússia disse que cada lado havia liberado 270 soldados e 120 civis. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, confirmou o total de 390 cada um e disse que mais prisioneiros serão liberados no sábado e no domingo.

Mais cedo, autoridades ucranianas disseram aos repórteres para se reunirem em um local na região de Chernihiv, na expectativa de que alguns prisioneiros libertados pudessem ser levados para lá.

Mencionando a troca de prisioneiros na manhã de hoje, Trump escreveu no em sua rede social: &quot;Parabéns a ambos os lados por essa negociação. Isso pode levar a algo grande???&quot;

Acredita-se que centenas de milhares de soldados de ambos os lados tenham sido feridos ou mortos na guerra mais letal da Europa desde a Segunda Guerra Mundial, embora nenhum dos lados publique números precisos de vítimas. 

Dezenas de milhares de civis ucranianos também morreram quando as forças russas sitiaram e bombardearam cidades ucranianas.

O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que os libertados incluíam civis capturados na região russa de Kursk durante uma incursão ucraniana que começou no ano passado.

Os militares e civis russos libertados estavam em Belarus, país vizinho à Ucrânia, recebendo assistência psicológica e médica antes de serem transferidos para a Rússia para mais cuidados, segundo o ministério.

Cessar-fogo?

A Ucrânia diz que está pronta para um cessar-fogo de 30 dias imediatamente.

A Rússia, que iniciou a guerra ao invadir sua vizinha em 2022 e agora ocupa cerca de um quinto da Ucrânia, afirma que não fará uma pausa em seus ataques até que condições sejam atendidas primeiro.

Enquanto isso, os combates continuam. Nesta sexta, a Rússia afirmou ter capturado um assentamento chamado Rakivka na região de Kharkiv, no Nordeste da Ucrânia.

O governador da região ucraniana de Odessa, Oleh Kiper, disse que a Rússia havia atingido a infraestrutura portuária com dois mísseis, matando uma pessoa e ferindo oito.

*Reportagem adicional de Abinaya Vijayaraghavan ]]></description>
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<pubDate>Mon, 26 May 2025 11:59:49 -0300</pubDate>
<dc:creator>redação</dc:creator>
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<title>Entenda a transformação do Sahel Africano: Mali, Burkina Faso e Níger</title>
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<description><![CDATA[ 
                    
				Levantes militares com apoio popular reposicionam, no cenário internacional, os países do Sahel africano: Burkina Faso, Níger e Mali. Nos três casos, os novos governos iniciaram um processo de transformação institucional, política e econômica se distanciando da dependência da França, antiga colonizadora da região.

Essa transformação do Sahel africano – que poderia incluir ainda o Senegal, que elegeu um novo grupo político com perfil nacionalista em 2024 – tem na figura do presidente de Burkina Faso, o geólogo e capitão do Exército Ibrahim Traoré, de apenas 37 anos, o principal símbolo desse processo. O Sahel é a região que separa o deserto do Saara das florestas tropicais da África subsaariana. 

Notícias relacionadas:Lula: dívida com a África pode ser paga com tecnologia em agricultura .Considerada uma “descolonização efetiva” dessa região da África, Mali, Níger e Burkina Faso abandonaram a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) por considerarem subordinada aos interesses estrangeiros e fundaram, em setembro de 2023, uma nova organização regional: a Aliança dos Estados do Sahel (AES).

Com uma população semelhante à da União Europeia (UE), com mais de 420 milhões de habitantes, a África Ocidental é rica em recursos naturais, ouro, petróleo, minérios, entre outros, apesar de a população ser uma das mais pobres do mundo e a mais afetada pelo terrorismo, com diversos grupos insurgentes islâmicos ativos.

Para especialistas consultados pela Agência Brasil, a mudança do centro da economia mundial do Atlântico Norte, entre Estados Unidos (EUA) e Europa, para a Ásia e o Pacífico, somada à forte pressão demográfica naquela região, levou a essas transformações políticas que vêm reformulando a dependência econômica da França com suas ex-colônias.  

Descolonização

O pesquisador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Sobre África, Ásia e Relações Sul-Sul (NIEAAS), o historiador Eden Pereira Lopes da Silva, explicou que esses países, após os processos de independência, nas décadas de 1960, mantiveram regimes neocoloniais predatórios semelhantes ao período colonial.  


“Esses países hoje conseguiram atingir um determinado nível de maturidade política para dizer à França que o atual estado das coisas não pode continuar. Isso é muito importante porque se manteve esse modelo de desenvolvimento econômico associado à economia francesa por meio do franco CFA”, afirmou.


O jurista e analista geopolítico Hugo Albuquerque destaca que essa região da África Ocidental conheceu civilizações e Estados multiétnicos importantes antes da partilha do continente pelas potências ocidentais definida na Conferência de Berlim, em 1885.


“Os franceses fizeram uma dura exploração dessa região por décadas. Quando a França começa a perder o controle do seu sistema após a 2ª Guerra Mundial, ela resolve coordenar um processo de descolonização controlado apoiando uma falsa independência e criam-se repúblicas de mentira, de fachada”, explicou.



            
        
    
 Arte/Dijor


Mali  

A onda de levantes militares começou no Mali, em agosto de 2020, liderado pelo oficial Assimi Goïta, após protestos massivos contra a presença francesa no país, que derrubou o presidente Ibrahim Boubacar Keïta.  


“Esse movimento militar instala um novo governo com características nacionalistas e busca reformas sociais no país e reposicionar o Mali diante das presentes transformações globais”, explicou Eden Pereira.


Entre as medidas tomadas pelo novo poder no Mali, estão a nacionalização das minas de ouro e a assinatura de novos acordos, em especial, com a Rússia, para transferência de tecnologia para o desenvolvimento da agricultura ainda pouco desenvolvida em função da aridez do clima e da escassez de chuvas.

Burkina Faso

Em setembro de 2022, foi a vez de um levante militar com apoio popular derrubar o governo de Burkina Faso e iniciar um processo de expulsão das tropas francesas do país, assim como de nacionalização de minas, criação de bancos públicos e de medidas para se desvincular da moeda francesa franco CFA.

Liderado pelo jovem geólogo e militar Ibrahim Traoré, o movimento em Burkina tem reivindicado a tradição anti-imperialista e anticolonial de figuras históricas do pan-africanismo, como Thomas Sankara, de Burkina, e Patrice Lumumba, do Congo.


“Ele é uma grande liderança porque, diferentemente da junta militar no Níger ou do Mali, que são um pouco anônimas sem grandes lideranças pessoais, ele é uma grande liderança carismática e se assenta em uma legitimidade popular muito grande”, explicou Hugo Albuquerque.


Níger

O último país do Sahel a se juntar à onda de levantes militares nas ex-colônias francesas foi o Níger, em julho de 2023, quando o presidente Mohamed Bazoum foi deposto, assumindo uma junta militar liderada pelo general Abdourahamane &quot;Omar&quot; Tchiani.

O Níger era o responsável por fornecer a maior parte do urânio consumido na França, apesar de a maior parte da população local não ter acesso à eletricidade. Considerado um dos países mais pobres do mundo, o novo governo tem adotado medidas semelhantes aos de Burkina e do Mali.

O especialista Hugo Albuquerque destacou que, no caso do Níger, o urânio não era contabilizado como riqueza nacional


“O urânio era basicamente contabilizado com uma pequena taxa de extração, mas o material entrava como parte do PIB da França. É uma loucura. Por isso, a gente tem a ilusão de que aqueles países são mais pobres do que realmente são. É que recursos naturais são extraídos de uma forma tão colonial que até na contabilização não entra”, ponderou.



            
        
    
Mali, Níger e Burkina Faso fundaram uma nova organização regional: a Aliança dos Estados do Sahel (AES) -  Foto Reprodução/ Instagram


Senegal

O Senegal, apesar de não ter tido um levante militar, também passa por transformações importantes em contexto semelhante às mudanças do Mali, Níger e Burkina. Considerado um dos países mais estáveis da África Ocidental, tem mantido fortes relações com o ocidente, sendo a porta de entrada da França na colonização da região.

Em 2024, diante da iminente vitória da oposição de esquerda, as eleições foram suspensas e uma série de protestos populares sacudiu o país. Em seguida, o pleito acabou convocado e assumiu o jovem Bassirou Diomaye Faye, se apresentando como uma figura “antissistema” e anunciando, logo no início do governo, a saída das tropas francesas do território.

O pesquisador da NIEAAS Eden Pereira Lopes da Silva explica que o governo de Senegal tentou barrar as eleições do ano passado, isso antes de prender e excluir do processo o principal líder da oposição do país, Ousmane Sonko.


“O partido que ganhou as eleições é um partido extremamente popular, o PASTEF, e é um partido de esquerda progressista que reivindica toda a herança do pan-africanismo. E ele vence após décadas de um movimento neoliberal dentro do Senegal. Foram manifestações que levaram ao pleito eleitoral e no pleito eleitoral, o candidato da oposição conseguiu vencer”, contou.


Democracia

Com exceção de Senegal, os governos do Mali, Burkina Faso e Níger são acusados de serem ditaduras por terem se estabelecido por meio de golpes de Estado. Para os analistas consultados, não é correto classificá-los ainda dessa forma uma vez que estão construindo novas instituições políticas.

O historiador Eden Pereira pondera que são processos de transformação político-social interna e que os militares lideram esses processos porque são as instituições mais organizadas na maioria desses países.


“Quando ocorreu esse processo de estabelecimento de democracias liberais dentro dessas regiões, essas democracias carregavam consigo formas de relação política que existiam anteriormente no período colonial, o que excluiu boa parte da sociedade do processo político”, disse.


Para o analista Hugo Albuquerque, apenas Senegal tinha instituições políticas mais sólidas que podem se assemelhar ao que conhecemos no Brasil. Ainda assim, com um regime bem mais repressivo devido à perseguição sistemática contra a oposição. Os demais países do Sahel, em sua maioria, contavam com restrita participação política, segundo o especialista.


“O Níger, por exemplo, era um regime eleitoral que, basicamente, incluía aquela parte da população que tinha energia elétrica em casa, o que é a menor parte da população. Você falar em ditadura e democracia levando em consideração o estado de emergência socioeconômico é até cínico”, avaliou.


Terrorismo

Um dos principais problemas do Sahel africano é o terrorismo islâmico promovido por grupos insurgentes, entre eles, alguns ligados à Al Qaeda e ao Estado Islâmico (EI).

O pesquisador Eden Pereira destacou que esses países foram intensamente afetados pela guerra ao terror promovida pelos países ocidentais, principalmente depois da queda do governo da Líbia, de Muammar Gaddafi, em 2011.


“A guerra ao terror naquela região promoveu a destruição de vários estados. E essa destruição de estados foi ocupada por um vazio social e econômico que proliferou uma série de problemas sociais”, comentou.


Ele acrescenta que o terrorismo é ainda alimentado pela exclusão de grupos étnicos inteiros do jogo político, que ficam sem representação na frágil institucionalidade.


“Isso acaba justificando uma presença militar ocidental sob o pretexto de ajudar aqueles países e mobilizar as forças armadas para o combate desses grupos. Só que isso acaba perpetuando a exploração desses recursos minerais”, completou.
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<pubDate>Mon, 26 May 2025 11:59:48 -0300</pubDate>
<dc:creator>redação</dc:creator>
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<title>Líder anti&#45;imperialista em Burkina Faso, Traoré se destaca na África</title>
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<description><![CDATA[ 
                    
				Com forte discurso anti-imperialista, nacionalista e pan-africanista, o presidente interino de Burkina Faso, Ibrahim Traoré, tem reivindicado a herança política de históricos líderes anticoloniais da África, como Thomas Sankara, da própria Burkina, e Patrice Lumumba, do Congo.


“Gostaria de expressar minha gratidão a todos os patriotas amantes da paz e da liberdade e pan-africanistas que se reuniram ao redor do mundo para apoiar nosso compromisso e nossa visão de um novo Burkina Faso e uma nova África, livre do imperialismo e do neocolonialismo”, afirmou Ibrahim Traoré após seu governo desmantelar outra tentativa de golpe de Estado, em abril deste ano.


Notícias relacionadas:Agência da ONU alerta para “agravamento da fome” na África.Traoré assumiu como chefe de Estado após um golpe militar, em setembro de 2022, na esteira da onda de levantes militares do Sahel africano que tomou os governos no Mali, em 2020, e no Níger, em 2023. 

O jovem militar tem se destacado como símbolo dessa transformação no Sahel da África Ocidental, chamando a atenção do continente e do mundo, assim como atraindo a hostilidade de potências ocidentais, em especial dos Estados Unidos e da França.

O imperialismo é o conceito usado quando “um país central se vale de seu maior poderio econômico, político e militar para subordinar países periféricos de acordo com seus próprios interesses”, explicou o sociólogo Raphael Seabra, professor da Universidade de Brasília (UnB).

A expulsão das tropas francesas de Burkina Faso, a nacionalização de minas, a criação de bancos públicos, acordos com Rússia e China, medidas para se desvincular da moeda francesa, o franco CFA, projetos de industrialização e a proibição de exportação de alimentos foram algumas das ações tomadas pelo novo governo.

O país tem uma população de cerca de 23 milhões de habitantes, um pouco acima de Minas Gerais (MG), em um território com área semelhante à do Rio Grande do Sul (RS). A nação vive há cerca de 15 anos uma guerra civil contra grupos terroristas islâmicos, que vitimou dezenas de milhares de pessoas.  

Ibrahim Traoré estudou geologia na Universidade de Uagadugu, nome da capital do país. Entrou no exército e lutou contra esses grupos insurgentes no norte de Burkina.

Che Guevara africano

Segundo o jurista e analista geopolítico Hugo Albuquerque, além de contar com forte apoio popular dentro de Burkina, Traoré tem ampliado sua influência política para toda a região.


“Como Che Guevara era um símbolo para a América Latina inteira, ele é um símbolo para aquela região. Ele se assenta em uma legitimidade popular grande dentro do país porque tem feito reformas e distribuído a renda da exploração mineral. Os militares reconhecem nele uma liderança importante”, avalia.


O pesquisador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Sobre África, Ásia e Relações Sul-Sul (NIEAAS), o historiador Eden Pereira Lopes da Silva, avalia que Ibrahim resgata, não apenas em termos teóricos, mas também práticos, figuras históricas que promoveram o pan-africanismo, corrente política que prega a união da África contra o assédio estrangeiro.

“Eram figuras que tinham uma visão mais revolucionária e anti sistêmica para os seus países, mas também para o continente africano como um todo. Eles defendiam uma posição contrária ao sistema colonial e capitalista que explora os países africanos durante décadas e séculos”, diz o pesquisador. 

Para Silva, Ibrahim Traoré percebeu que o mundo está em transformação e concluiu que Burkina Faso não deveria manter a relação comercial subordinada aos interesses franceses.


“Ele se afirma como um governo de caráter nacionalista e se identifica em solidariedade com vários países que lutam pela sua soberania. E a população de Burkina Faso expõe isso em suas manifestações constantemente”, acrescentou.  


Para o especialista Hugo Albuquerque, Traoré herdou a cultura política socialista iniciada por Thomas Sankara, líder da fundação de Burkina Faso.


“Intelectuais que sobreviveram, mesmo depois da derrubada de Sankara, continuaram militando e se articulando, inclusive com participação nas Forças Armadas, que é a grande instituição nacional no fim das contas”, destacou.



            
        
    
Arte/Dijor


História

Na década de 1980, cerca de 20 anos após a independência formal de Alto Volta, atual Burkina Faso, uma revolta eclodiu no país liderado por Sankara, que mudou o nome do país para Burkina Faso.

Em 1987, Sankara foi assassinado em uma emboscada. Depois disso, uma ditadura de mais de 30 anos se instalou no país com apoio das potências ocidentais. O ditador Blaise Compaoré governou o país até 2014, quando foi deposto por outro golpe militar.   

A manutenção da economia colonial, da moeda da França e de tropas francesas no país, além do crescimento populacional e da guerra contra o terrorismo, foram fatores que, para os especialistas, viabilizaram a ascensão de Traoré ao poder em 2022.


“Esses movimentos militares são uma resposta aos anseios de partes da população que se sentem excluídas do poder e que não possuem condições de manifestar isso por meio do processo político eleitoral”, comentou o historiador Eden Pereira Lopes da Silva.


Democracia

O governo de Burkina Faso, assim como os demais governos militares que assumiram após golpes de Estado no Mali e no Níger, são acusados de terem se tornado ditaduras. Para os especialistas, não é possível chamar os regimes anteriores de democracias liberais como conhecemos no Brasil.

O pesquisador Eden Pereira, que também é doutorando em história pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que Burkina passa, neste momento, pela construção de suas instituições políticas após uma ruptura institucional, não sendo possível ainda antecipar que tipo de regime deve prevalecer.


“Evidentemente que alguns países podem tender a um regime um pouco mais autoritário, e outros podem tender a reformas sociais e políticas profundas que os transformem em democracias de novo tipo. É o caso, por exemplo, pelo que observo, de Burkina Faso, mas isso ainda pode mudar no futuro”, avaliou.


O analista Hugo Albuquerque, por sua vez, destaca que os regimes depostos não eram democracias e cita a exclusão completa de parte da sociedade das decisões políticas.


“A ilusão principal é que havia uma democracia de massas e que os militares foram lá e derrubaram. Era um regime muito mais semelhante ao da República Velha aqui no Brasil. Disso para pior, mas um cenário de exploração colonial pior do que o que acontecia na Palestina antes do massacre de agora”, avaliou.



            
        
    
Presidente Ibrahim Traoré de Burkina Faso. Foto @CapitaineIb226/ Instagram oficial


Terrorismo

O terrorismo, um dos graves problemas do Sahel africano, tem crescido em Burkina Faso desde que Traoré assumiu o poder, segundo cálculos do Centro Africano de Estados Estratégicos.

O instituto aponta que triplicou o número de mortos pelo terrorismo se comparado com os 18 meses antes do golpe de 2022.

“Essa violência, somada à disseminação geográfica de atividades extremistas que cercam Uagadugu, coloca Burkina Faso mais do que nunca à beira do colapso”, diz o estudo.

O analista Hugo Albuquerque avalia que o terrorismo islâmico no Sahel é financiado pelas petro-monarquias aliadas do ocidente no Oriente Médio para manter o controle sobre essa região. “São movimentos mercenários com dinheiro de fora e cumprem o papel de ocupação territorial do norte do país para possibilitar a extração de recursos naturais”, avaliou.

O pesquisador Silva alerta que os problemas sociais e a exclusão de grupos étnicos do jogo político estão entre as raízes do terrorismo na região do Sahel. 


“A guerra ao terror naquela região promoveu a destruição de vários estados. E essa destruição foi ocupada por um vazio social e econômico que proliferou uma série de problemas sociais”, comentou.


Em seu encontro com o presidente da Rússia, Vladmir Putin, no início de maio, Traoré argumentou que o terrorismo na região vem do imperialismo.


“Acreditamos que o terrorismo que estamos testemunhando hoje vem do imperialismo, e estamos lutando contra ele. Se acabarmos com esta guerra, se tivermos um exército forte, seremos capazes de nos engajar no desenvolvimento de nossa pátria”, afirmou.
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<pubDate>Mon, 26 May 2025 11:59:47 -0300</pubDate>
<dc:creator>redação</dc:creator>
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<title>Brasil participa de coalizão para ajudar Gaza e pressionar Israel</title>
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				O governo brasileiro participou de encontro com 19 países, neste domingo (25), em Madri, na Espanha, onde foram discutidas medidas para ajudar a Faixa de Gaza, e pressionar Israel para que suspenda a guerra, incluindo a possibilidade de sanções. As discussões priorizaram ainda ações para viabilizar a chamada solução de dois Estados, um palestino e outro israelense, apesar de Israel rejeitar a criação do Estado palestino.

Organizado pelo governo da Espanha, reuniu chanceleres de 20 países, incluindo Alemanha, Portugal, Reino Unido, Irlanda, Turquia, Itália, Egito, Jordânia, Arábia Saudita, Catar, Bahrein e Marrocos.

Notícias relacionadas:Anistia Internacional classifica ação de Israel em Gaza como genocídio.ONU diz que população de Gaza precisa de mais alimentos .Entenda o que foi a Nakba, a catástrofe do povo palestino .O Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que criticou a inação da comunidade internacional diante do massacre da população civil em Gaza.


“Ninguém poderá alegar desconhecimento sobre as atrocidades em curso, transmitidas diariamente ao vivo pelos meios de comunicação. Nenhum interesse nacional, nenhuma consideração de política doméstica justificam o silêncio diante de crimes que erodem os alicerces do ordenamento jurídico internacional”, afirmou Vieira na reunião em Madri.


O Itamaraty explicou que o encontro busca ainda a preparação para a Conferência sobre a questão Palestina prevista para os dias 17 a 20 de junho, em Nova York. O Brasil vai coordenar um dos grupos de trabalho da cúpula da ONU sobre a Palestina. 

Israel tem rejeitado, sistematicamente, a possibilidade da construção do Estado palestino. Em julho de 2024, o parlamento israelense aprovou resolução contra o Estado palestino argumentando que isso representaria “um perigo existencial para o Estado de Israel e seus cidadãos”.

O professor de relações internacionais da Universidade Federal do ABC paulista (UFABC), Mohammed Nadir, avaliou, em entrevista à Agência Brasil, que o encontro foi ousado e corajoso e representa uma mudança nas relações de países da União Europeia (UE) com Israel.


“Quebra aquela relação de vassalagem cega da União Europeia para com Israel. Mas tenho sérias dúvidas se isso pode se concretizar, porque muitos países vão continuar fornecendo armas a Israel de forma pública ou secreta. Israel tem um lobby forte na Europa e no mundo, sobretudo, nos Estados Unidos”, comentou.


Sanções contra Israel

O chanceler espanhol, José Manuel Albares, destacou que a Espanha defende a suspensão do acordo da União Europeia (UE) com Israel, além de um embargo de armas para impedir a venda de armamentos à Tel-Aviv e sanções individuais contra aqueles que impedem a construção do Estado palestino.


“Gaza é uma ferida aberta na humanidade. Não há palavras para descrever o que está acontecendo agora em Gaza, mas a ausência de palavras não significa que devamos permanecer em silêncio. O silêncio neste momento é cúmplice”, disse no encontro.


A ofensiva de Israel em Gaza tem sido considerada um genocídio por diversos países, organizações de direitos humanos e especialistas. O governo de Tel-Aviv nega e diz que busca destruir o Hamas e recuperar os reféns feitos em 7 de outubro de 2023. 

O chanceler espanhol defendeu que não pode haver venda de armas a Israel. &quot;E devemos rever a lista nacional de sanções individuais que cada um de nós tem, e que a União Europeia também te, para garantir que não permitamos que aqueles que não querem a solução de dois Estados tenham sucesso e tornem um Estado palestino inviável na prática”, afirmou José Manuel Albares.

Entre 2019 e 2023, os EUA foram responsáveis por 69% das armas importadas por Israel, a Alemanha foi responsável por 30% e Itália 0,9%, sendo os três principais fornecedores de armas para Tel-Aviv, segundo estudo do Instituto Internacional de Pesquisa de Paz de Estocolmo (Sipri). 


“Os EUA intensificaram rapidamente a ajuda militar emergencial a Israel após 7 de outubro de 2023. Até 10 de outubro, os EUA teriam transferido mil bombas guiadas GBU-39 para aeronaves, uma entrega acelerada sob um contrato previamente assinado. Desde então, também aceleraram a entrega de armas importantes sob contratos anteriores e enviaram ajuda militar emergencial adicional”, diz o Instituto.  


O professor Mohammed Nadir acrescentou que as medidas discutidas no encontro de Madri não afetam Israel no curto prazo. “Israel é um produto colonial do ocidente que ele não pode sacrificar”, disse.

Na última semana, uma pequena quantidade de suprimentos foi permitida entrar no enclave após mais de dois meses e meio de bloqueio completo. Porém, a quantidade é muito inferior à necessária. Israel teria permitido a entrada de apenas 100 caminhões, sendo que 500 caminhões entravam, por dia, em Gaza antes da guerra.

As Nações Unidas (ONU) alertam que a fome imposta à população pode levar a morte de dezenas de milhares de pessoas em uma população já quase toda deslocada por causa dos bombardeios de Israel. 

Entenda

Em 1948, com a criação do Estado de Israel, mais de 700 mil palestinos foram expulsos de suas terras. Muitas dessas famílias ou seus descendentes vivem em Gaza ou em assentamentos na Cisjordânia. Ao contrário de Israel, nunca foi criado um Estado palestino, conforme previa resolução da ONU que sugeriu a divisão da Palestina entre dois Estados. 

Após várias guerras e diversos levantes palestinos contra a ocupação dos seus territórios históricos, foram assinados os Acordos de Oslo, em 1993, que previam a criação do Estado palestino. Porém, os compromissos nunca foram cumpridos. Desde então, a ocupação da Cisjordânia por colonos israelenses só tem aumentando, medida considerada ilegal pelo direito internacional. 

Em 7 de outubro de 2023, o grupo Hamas invadiu vilas e comunidades israelenses matando 1,2 mil pessoas e sequestrado outras 220, em uma ação que seria uma resposta ao cerco de 17 anos contra Gaza e contra a ocupação da Palestina.

Desde então, Israel iniciou uma ofensiva sem precedentes contra Gaza devastando a maior parte do território, deslocando a maior parte da população civil e assassinando mais de 53 mil pessoas. Ao mesmo tempo, Israel avança na Cisjordânia tendo já deslocado mais de 40 mil pessoas.  ]]></description>
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<pubDate>Mon, 26 May 2025 11:59:46 -0300</pubDate>
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<title>Trump diz que Putin ficou &amp;quot;absolutamente louco&amp;quot; e analisa mais sanções</title>
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				O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, disse que Vladimir Putin ficou &quot;absolutamente louco&quot; ao desencadear o maior ataque aéreo da guerra contra a Ucrânia. Acrescentou que está avaliando novas sanções contra Moscou, embora também tenha repreendido o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Trump publicou o comentário no Truth Social, enquanto ucranianos acordavam para uma terceira noite consecutiva de ataques aéreos russos, ouvindo por horas drones zumbindo perto de suas casas e explosões de fogo antiaéreo ucraniano.

Notícias relacionadas:Rússia faz ataque recorde contra a Ucrânia com 355 drones  .Rússia e Ucrânia finalizam maior troca de prisioneiros.A Força Aérea ucraniana disse que a Rússia lançou 355 drones e nove mísseis de cruzeiro contra a Ucrânia durante a noite, uma enorme salva que, segundo o porta-voz da Força Aérea, foi o maior ataque de drones da Rússia na guerra até o momento.


&quot;Algo aconteceu com ele (Putin). Ele ficou absolutamente LOUCO!&quot;, disse Trump sobre o presidente russo no Truth Social, referindo-se ao ataque da Rússia na noite anterior.



&quot;Eu sempre disse que ele quer TODA a Ucrânia, não apenas um pedaço dela, e talvez isso esteja se mostrando correto, mas se ele conseguir, isso levará à queda da Rússia!&quot;


Trump também criticou Zelenskiy, postando que o líder ucraniano &quot;não está fazendo nenhum favor ao seu país ao falar do jeito que fala. Tudo o que sai de sua boca causa problemas, não gosto disso e é melhor que pare&quot;.

O Kremlin, questionado sobre os comentários específicos de Trump sobre Putin ser &quot;louco&quot;, agradeceu ao povo dos EUA e a Trump pessoalmente por sua assistência no lançamento das negociações de paz, mas sugeriu que Trump e outros poderiam estar emocionalmente sobrecarregados.


&quot;Este é um momento muito crucial, que está associado, é claro, à sobrecarga emocional de todos e a reações emocionais&quot;, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.


A Força Aérea ucraniana afirmou que o terceiro ataque aéreo russo consecutivo atingiu alvos em cinco locais, mas não entrou em detalhes, o que implica danos militares.

Um garoto de 14 anos ficou ferido na região de Odessa, no Mar Negro. Segundo as autoridades, prédios residenciais e instalações industriais foram danificados no oeste da Ucrânia.

O Kremlin disse que os ataques à Ucrânia foram direcionados a alvos militares e uma resposta a ataques ucranianos significativos a alvos civis russos.

Zelensky, em um post no X, não abordou diretamente as críticas de Trump, mas disse que o mundo parecia estar se esforçando mais no diálogo com Putin do que exercendo pressão real sobre o chefe do Kremlin.

A Rússia, declarou Zelensky, só pode ser restringida pela força, e pediu novamente sanções adicionais contra o país.

&quot;Não estou feliz&quot;

Falando aos repórteres no aeroporto de Morristown, em Nova Jersey, Trump disse sobre Putin: &quot;Não sei o que há de errado com ele. Que diabos aconteceu com ele. O que aconteceu? Ele está matando muitas pessoas. Não estou feliz com isso&quot;.

O presidente norte-americano levantou a possibilidade de impor mais sanções à Rússia em resposta aos ataques.

No maior ataque aéreo da guerra, a Rússia bombardeou cidades ucranianas e outros alvos com pelo menos 367 drones e mísseis durante a noite e o domingo, matando pelo menos 12 pessoas, incluindo três crianças na região norte de Zhytomyr, segundo autoridades ucranianas.

O ataque russo foi o maior da guerra em termos de armas disparadas, embora outros ataques tenham matado mais pessoas.

Trump tem pressionado a Rússia e a Ucrânia para acabar com a guerra de mais de três anos, mas os dois lados continuam distantes -- e enquanto as principais potências conversam, a guerra está se intensificando e as forças russas estão avançando no leste da Ucrânia.

(Reportagens adicionais de Dmitry Antonov, Yulia Dysa, Jeff Mason e Steve Holland)

*É proibida a reprodução deste conteúdo. ]]></description>
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